Catalunya e nós: Vinte dias para abalar o régime

Catalunya e nós: Vinte dias para abalar o régime

O nacionalismo galego pode aprender em Catalunya o que já sabia. Som teses históricas, ainda que circulem com frequência de forma subterrânea, o carácter ilegítimo do Estado, derivado dumha reforma indissimulável do régime ditatorial anterior, assim como a ausência de possibilidades de negociaçom com um poder de tendência secularmente oligárquica e imperial, bem evidente nos seus principais referente sinais de identidade, na sua Constituiçom alimentada de artigos redigidos entre os quartéis, as oligarquias políticas e os palácios, ou na sua monarquia como tétrica linha de continuidade de todos os régimes tiránicos que se negam a morrer. Os Franco seguem em Meirás, e nom fica outra alternativa que reconquistar o paço: a via de ruptura do régime, o vector real de impugnaçom da realidade actual, é a constituiçom de repúblicas soberanas através da afirmaçom da vontade popular.

Sabíamos de tudo isto. Agora, nom é o mesmo aprender polo estudo que pola experiência vivida. Por umha parte, e em termos históricos, a reforma federal sempre tivo numerosos representantes em Catalunya, desde Valentí Almirall ou Pi i Margall, mas nunca atopou ninguém do outro lado da mesa para negociar. A sentença do Estatut já marcara todos os límites admissíveis de “interpretaçom” ou adaptaçom da Constituiçom, mas os últimos cinco anos demostraram que nom existe nengumha vontade por parte do Estado -nem de nengum partido político espanhol de certa relevância- por negociar umha saída democrática ás amplíssimas aspiraçons do povo catalá. Ao contrário: o Estado ofereceu tam só unha negaçom tautológica do direito à autodeterminaçom, reavivou a persecuçom política e ideológica com meios legais e ilegais, construiu um peculiar direito constitucional do inimigo com juízes de garda ao serviço de governo, utilizou a policia para perseguir e difamar líderes independentistas, ameaçou e finalmente inabilitou cargos políticos por promover a consulta do 9-N.

Se isto conhecemos pola parte do Estado, algo podemos também sinalar do povo catalám e das suas organizaçons, e quiçais é ali onde menos olhadas se deitam: as mobilizaçons dos últimos anos asombram pola sua magnitude, mas dificilmente existiriam sem a intervençom prévia, durante décadas, dum independentismo daquela minoritário. Tal e como explicam Carles Castellanos e Roger Castellanos em El Fenomen Nacional, este independentismo acertou ao rachar, ideologica e politicamente, tanto com a esquerda espanholista como com o catalanismo conservador, e afrontou etapas tanto de resistência como de desplegamento do independentismo no seio da sociedade catalá. Trás longas etapas de mobilizaçom independentista, a última onda de sensibilizaçom, na que muito tivo a ver a crise económica e política, involucrou centos de milheiros de persoas numha mobilizaçom popular suprapartidista de grande força na parte dos Països Catalans que celebrará um referendo o vindouro 1 de outubro. À vez que o independentismo enraizava em diversas lutas sociais e madurava institucionalmente, desenvolvia-se na sociedade umha autêntica dinámica de massas que, apesar de defender modelos de sociedade nom só diversos senom contraditorios, atopava numha república soberana tanto umha alternativa democrática como a soluçom aos problemas materiais: umha alternativa política e económica para as classes populares, que arrebatam o protagonismo à burguesia numha situaçom de emergência nacional. 

Na Galiza sempre tendemos a salientar as conhecidas diferenças históricas de desenvolvimento da consciência nacional ou de estrutura de classes entre a nossa naçom e a catalá (ou a basca), que tam efectivas resultam para justificar qualquer derrotismo. Mas corremos o risco de passar por alto umha coincidência substancial: a possibilidade de que a autonomia e o autonomismo, cujos resultados som inevitavelmente implacáveis entre as classes populares galegas, entrem por fim em crise e decadência como inverno em fuga, sempre que os soberanistas nom optem por refugar este combate amparados na correlaçom de forças. A táctica pode variar em cada contexto -o mesmo processo catalám tivo numerosas variaçons, e também renúncias, dilaçons e dúvidas de parte dos principais atores- e seria insensato nom partir da realidade da consciência existente, mas a clave é a estrategia central. Neste sentido, é também evidente que o sucesso dumha república soberana na outra beira da península, e o desenvolvimento dum processo constituínte popular, abriria um espaço de oportunidade inédito para as galegas e galegos iniciarmos a construçom dumha nova sociedade.

Neste momento, as posiçons políticas na Catalunya tendem inevitavelmente a se concentrar em dous pontos e duas estratégias contrapostas: a dos que defendem o referendo e tenhem como principal objetivo a sua realizaçom apesar da persecuçom e dos meios do Estado, e a dos que querem impedir a qualquer custo que abra umha urna o 1 de outubro. Se inevitavelmente colidirám e descartamos razoadamente a possibilidade dum inesperado giro democrático por parte do governo de Mariano Rajoy, por que deveríamos negar-nos a imaginar umha resposta mais autoritária e repressiva dum governo que já empregou no passado quase todo tipo de métodos? Se Rajoy nom pode aceitar sequer parte das demandas catalás, se o Estado nom pode se suicidar, que alternativa têm à margem da repressom? Alguns acontecimentos dos últimos dias, com a Guardia Civil a buscar desesperadamente papeletas, a investigar sedes de jornais e imprentas, som eloquentes a respeito da situaçom actual, e aproximam-se bastante daquela imagem que tantas vezes nos prometeram que nunca veríamos: os agentes a retirar urnas para impedir a votaçom. Quiçais o vejamos, ou quiçais algo pior: o mundo dos gángsters, e nom é outro o de Rajoy, é um mundo de sangue frio. 

Agora, com todo o que sabemos, ficaremos observando? Nunca a prudência deveria converter-nos em traidores: galegas e galegos devemos reforçar a primeira ameaça séria e estrutural que afronta o régime nas últimas 4 décadas, e à vez apoiar-nos nela sem reservas. É um dever, e nom umha opçom, agitar todas as nossas forças -e penso que som maiores que as que nos deixam ver certos cálculos e medos- e organizar umha mobilizaçom à altura. Os meios empresariais espanhóis cunharam a etiqueta de “desafio soberanista” co seu perenne ánimo estigmatizador, mas por umha vez acertaram: este é um desafio democrático e popular, mas fundamentalmente o das e dos soberanistas contra o seu régime, e à vez também um repto para nós. Ficam por diante 20 dias que abalarám o régime. Lutemos por ganhar.

 

Artigo publicado en Sermos Galiza o 14 de setembro de 2017.